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Sylvio Roméro



Quando branquejam, de manhã, neblinas,
Cobrindo os campos, o que são ?–vapores.
Que o pranto gera das canções divinas,
São lagrymas e amores.

Chrystaleas aguas, que o Amazona atira
Nas nossas terras a trajar verdores,
E os sons cadentes, que eu na matta ouvira,
São lagrymas e amores.

As niveas perolas de nitente alvura,
Que a fonte clara salpicou nas flores,
Serão segredos de amorosa jura ?
São lagrymas e amores.

III

Escuta


Si para amar-te for myster martyrios,
Com que delirios saberei soffrer !
Si de altas glórias for myster a palma,
Talvez minha alma possa além colher.

Quebrar cadeias, conquistar um nome,
Que não consome o perpassar das eras ;
Arcar com a furia de fracundos nortes,
Soffrer mil mortes, sem morrer de veras ;

Nas proprias carnes apertar cilicios,
Nos sacrificios ter sereno o rosto ;
Pisar descalço sobre espinhos duros,
Com pés seguros, com signaes de gosto ;

Longe da patria, no paiz mais feio,
Do tedio em meio, para amar-te, irei
Viver embora sob a zona ardente,
E alli contente por te amar serei !…