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Página:Parnaso Sergipano (Volume 1).pdf/70

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SYLVIO ROMERO



—« Meiga briza, mais corada
Respondeu-lhe a flor assim,
Eu vivo aqui desprezada,
Ninguém se lembra de mim ! »

—« Pois virei, flor de esperança,
Fallar-te de amor e Deus :
Mas dar-me-has por lembrança
N′um beijo os perfumes teus. »

E foi-se lá na floresta,
Deixando a triste a sciamar ;
E nunca mais fez-lhe festa,
Que a flor se poz á murchar !

IX


A Lua


Imagem formcsa de virgem sentida
Que vive á chorar,
A lua nos ares vagueia perdida
Sem nunca parar.

E′ floco de nevo
Nas azas da briza levado de leve
Aos astros do cèo :
Anjinho saudoso n′um campo de flores
Correndo, cahindo, morrendo de amores,
Da noite no véo.

Espelho de prata nos ares Iuzindo
Que a terra seduz ;
Do sol é sentelha, é astro fulgindo,
E′ cirio de luz.

Rainha formosa
De estrellas cercado se assenta orgulhosa
N′um throno de azul ;