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Página:Parnaso Sergipano (Volume 1).pdf/73

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PARNASO SERGIPANO


O futuro não vai mui distante,
Já podeis acenal-o com fé.
Esse immenso colosso gigante
Trabalhai por erguei-o de pé.

Nossos pais nos legaram guerreiros
Honra e gloria, virtude e saber ;
Nós os filhos de pais brasileiros
Pela Patria devemos morrer.
Mocidade, eia avante ! eia avante !
Que o Brasil vos aguarda com fé.
Esse immenso colosso gigante
Trabalhai por erguel-o de pé.

XI
O Lenhador


Do Norte nas mattas um pobre captivo
Curvado dos annos, de fome a morrer,
Dizia chorando: « Não sei porque vivo
Se livre na terra não posso viver !»

Apenas seu canto soltava o tucano,
Vigilia das selvas, da aurora cantor,
Caminho das mattas lá ia o Africano
Que manda com gitos seu rude senhor,

Mostrava-lhe as costas a rota camisa
Em f'ridas abertas do muito apanhar.
Do rôsto nas rugas a dor se divisa,
Faz pena de vel-o calado a chorar !

Trabalha, captivo ! trabalha morrendo,
Que escravo dos brancos a sorte te fêz !
O vento que passa nas selvas gemendo
Trabalha — não ouves, dizer-te uma vês? !