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Página:Parnaso Sergipano (Volume 1).pdf/74

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SYLVIO ROMÉRO

Levanta o machado, que a noite não venha!
Avia-te em breve, que o sol vai-se pôr !
Arrasta teu feixe pesado de lenha,
Que a muito te espera teu bruto senhor.

Não temas a onça que ruge medonha,
Que a onça raivosa só sabe rugir;
Do fero azurrague tem medo e vergonha,
Procura, meu velho, da morte fugir!

E á sombra de um'arvore o pobre captivo
Curvado dos anno.', de fome a morrer,
Dizia chorando: « Não sei porque vivo.
Si livre na terra não posso viver ! »

Retumba na malta medonho estampido
Do rouco ribombo de horrendo trovão;
O echo na serra respoade perdido..
As palmas se envergam; se arrastam no chão!

A onça fugindo se acoita medrosa,
Não corre o veado que agora parou!
A rôla em seu ninho se occulta amorosa,
E o pobre captivo por terra ficou!...

Foi Deus que livrára, n'um raio divino,
Da vida de escravo quem livre nasceu!
De tudo me lembro, que eu era menino
Lá quando este caso no Norte se deu.


XII

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O Tropeiro


Camarada, toca avante,
Que o sol se vai occultar;
Mais uma legoa adeante
Devemos nós sestear.