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Página:Parnaso Sergipano (Volume 2).pdf/57


V


O desembraque


(LEVA DE ESCRAVO)


Foi longa a travessia?... Mas a terra
Aparece por fim... a terra pura,
Que a seiva do porvir no seio encerra,
Que transborda de risos na verdura!
Então um paraizo so decerra
Na grandeza que ajusta-se à ternura;
A vida vae suave e descuidosa
A natureza, altiva e porlentosa.

Dos navios, que tristes ancoraram,
Como ladrões... esqualidos bandidos...
Saltam homens que a patria atraz deixaram;
Que, aos sorrisos dos ventos em seus ouvidos,
Estatelados, pavidos ficaram,
Como se ouvissem só, entre gemidos,
O chôro de seus pais lá nos seus lares
Que ficaram bem longe... atrás... nos mares...

E' a turba famelica de escravos
Que acabam de chegar... Ai! não saudemos,
Su'alma dolorida, os seus aggravos
Todos feitos por nós...
Para lavar os crimes ignavos
Que na face dos homens inscrevemos.
A cada som que dão estas cadeias,
Alma da historia, quanto te mareias!...

Cambaleando, mortos de fadiga,
Repelidos do mar que os não tragara,
Onde hão de um diachar uma voz amiga,
Que a dôr acerba em risos lhes trocára!...

8–Parn. Serg.