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Eu já previa o funebre desfecho
D'esse tempo feliz, — triste de mim!

O nosso amor nem vio nascer as flôres;
Mal aquecia um raio de verão
Para sempre, talvez, das nossas almas
Começou a cruel separação.

Vi esta primavera em longes terras,
Tão ermo de esperanças e de amores,
Olhos fitos na estrada, onde esperava
Ver-te chegar, como a estação das flôres.

Quanta vez meu olhar sondou a estrada
Que entre espesso arvoredo se perdia,
Menos triste, inda assim, menos escuro
Que a duvida cruel que me seguia!

Que valia esse sol abrindo as plantas
E despertando o somno das campinas?
Inda mais altas que as searas louras,
Que valião as flôres peregrinas?

De que servia o aroma dos outeiros?
E o canto matinal dos passarinhos?