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Corre este véo sobre teus olhos lindos,
Olha não caias, dá-me a tua mão!

Choveu: a chuva humedeceu a terra.
Anda! Ai de mim! Em vão minh'alma espera.
Estas folhas que eu piso em chão deserto
São as folhas da outra primavera!

Não, não estás aqui, chamo-te embalde!
Era ainda uma ultima illusão.
Tão longe d'esse amor fui inda o mesmo,
E vivi dous invernos sem verão.

Porque o verão não é aquelle tempo
De vida e de calor que eu não vivi;
É a alma entornando a luz e as flôres,
É o que hei de ser ao pé de ti!