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És tu, casta poesia, ó terra pura e santa!
Quando a alma padece, a lyra exhorta e canta;
E a musa que, sorrindo, os seus balsamos verte,
Cada lagrima nossa em perola converte.

Longe d'aquelle asylo, o espirito se abate;
A existencia parece um frivolo combate,
Um eterno anciar por bens que o tempo leva,
Flôr que resvala ao mar, luz que se esvai na treva,
Pelejas sem ardor, victorias sem conquista!
Mas, quando o nosso olhar os páramos avista,
Onde o peito respira o ar sereno e agreste,
Tansforma-se o viver. Então, á voz celeste,
Acalma-se a tristeza; a dôr se abranda e cala;
Canta a alma e suspira; o amor vem resgatal-a;
O amor, gotta de luz do olhar de Deos cahida,
Rosa branca do céo, perfume, alento, vida.
Palpita o coração já crente, já desperto;
Povôa-se n'um dia o que era agro deserto;
Falia dentro de nós uma boca invisivel;
Esquece-se o real e palpa-se o impossivel.
A outra terra era má, o meu paiz é este;
Este o meu céo azul.

Se um dia padeceste
Aquella dôr profunda, aquelle anciar sem termo