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Página:Phalenas.pdf/184

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XXII


Mal o velho acabava e justamente
Na rija porta ouvio-se uma pancada.
Quem seria? Uma serva diligente,
Travando de uma luz, desceu a escada.
Pouco depois rangia brandamente
A chave, e a porta aberta dava entrada
A um rapaz embuçado que trazia
Uma carta, e ao doutor fallar pedia.

XXIII


Entrou na sala, e lento, e gracioso,
Descobrio-se e atirou a capa a um lado;
Era um rosto poetico e viçoso
Por soberbos cabellos coroado;
Grave sem gesto algum pretencioso,
Elegante sem ares de enfeitado;
Nos labios frescos um sorriso amigo,
Os olhos negros e o perfil antigo.

XXIV


Demais, era poeta. Era-o. Trazia
N′aquelle olhar não sei que luz estranha
Que indicava um alumno da poesia,