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LXXXII


A morte! Heitor pensára alguns momentos
N′essa sombria porta aberta á vida;
Pallido archanjo dos finaes alentos
De alma que o céo deixou desilludida;
Mão que, fechando os olhos somnolentos,
Põe o termo fatal á humana lida;
Templo de gloria ou região do medo,
Morte, quem te arrancara o teu segredo?

LXXXIII


Vasio, inutil, ermo de esperanças
Heitor buscava a noiva ignota e fria,
Que o envolvesse então nas longas tranças
E o conduzisse á camara sombria,
Quando, em meio de pallidas lembranças,
Surgio-lhe a idéa de um remoto dia,
Em que cingindo a candida Capella
Estava a pertencer-lhe uma donzella.

LXXXIV


Elvira! o casto amor! a esposa amante!
Rosa de uma estação, deixada ao vento!
Riso dos céos! estrella rutilante