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Viuva e moça, agora em vão procuras
No teu placido asylo o extincto esposo.
Interrogas em vão o céo e as aguas.
Apenas surge ensanguentada sombra
Nos teus sonhos de louca, e um grito apenas,
Um soluço profundo reboando
Pela noite do espirito, parece
Os échos acordar da mocidade.
No emtanto, a natureza alegre e viva,
     Ostenta o mesmo rosto.
Dissipão-se ambições, imperios morrem.
Passão os homens como pó que o vento
Do chão levanta ou sombras fugitivas.
Transformão-se em ruina o templo e a choça.
Só tu, só tu, eterna natureza,
     Immutavel, tranquilla,
Como rochedo em meio do oceano,
Vês baquear os seculos.

          Sussurra
Pelas ribas do mar a mesma briza;
O céo é sempre azul, as aguas mansas;
Deita-se ainda a tarde vaporosa
     No leito do occidente;
Ornão o campo as mesmas flôres bellas...
Mas em teu coração magoado e triste,