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Pediram-me o meu pequeno interprete para ir com elles assegurar ao Thion, seo chefe, e a todos os seos companheiros, que eu os receberia como filhos de Deos, e que podiam vir afoitamente confiados na protecção dos Padres.

Acompanhados por muitos francezes e pelo meo interprete, a quem dei algumas imagens como mimos, a Thion, elles embarcaram para o Mearim em busca de suas casas.

Foram recebidos com muitos applausos, choros, lagrymas, e danças de dia e de noite.

Prepararam vinhos em abundancia, presentearam os francezes com muitos porcos do matto e outras caças, e offereceram-lhes muitas raparigas das mais bonitas, o que regeitaram dizendo que Deos não queria, e que os Padres prohibiam, e se quizessem agradar os Padres, quando fossem para a Ilha, deviam levar Cruzes para expellir o Giropary[NCH 26] do meio d’elles: assim o disseram, assim o fizeram, plantando muitas Cruzes, em varios lugares na frente de suas casas, como ainda hoje se vê, e que ficaram como prova de habitação antiga, d’onde foram chamados para ir á outra terra, já illuminada pelo conhecimento de Deos, e enriquecida com os Sacrosantos Sacramentos da Igreja, como aconteceo outr’ora com a nação do povo de Israel, que sahio do Egypto em busca da terra da Promissão.

Dispostas estas coisas, cada um cuidou em arrumar-se e fazer sua colheita, destruir as roças, e preparar bom farnél, pois deviam em pouco tempo deixar e abandonar este lugar: indagavam muito de varias coisas tendentes á sua salvação, e eram satisfeitas as suas perguntas.

Aproveitaram-se os Francezes da occasião e facilidade, que lhes offerecia para conquistar a nação proxima de indios inimigos, da aldeia de Thion, e causava pena ouvil-os dizer, que haviam comido a muitos, porque eram mais fortes, tinham maior numero de aldeiamentos e de homens, e o Principal d’elles, chamado Farinha-grossa, valente na guerra, alegre, e muito propenso ao Christianismo, como fallaremos n’outro lugar, dizia com garbo, «si eu quizesse comer os