De uma dor de garganta adoecestes

De uma dor de garganta adoecestes,
E foram, Tisbe, quando vos sangrastes,
Piques aquela dor, de que enfermastes,
Rosas aquele sangue, que vertestes.

Oh que discretamente discorrestes
No remédio, que à dor logo aplicastes.
Pois por força nas rosas, que lançastes,
Haviam de ir os piques, que tivestes.

Mas ai! que por meu mal desejo agora
Um novo mal em vós, ó Tisbe minha;
E se o pode alcançar, quem vos adora,

Peço, que suspendais essa meizinha,
Que se ainda mais rosas lançais fora,
Receio, que fiqueis posta na espinha.