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Éden
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Olha, o momento é curto, e esvai-se de repente;
Neste trabalho audaz, nesta eviterna luta,
Ou é logo apanhá-lo, audaciosamente,
Ou perdê-lo na mó da natureza bruta.

Não o deixar, ser pronto, agarrar o presente,
E em cima de um gramado, ou dentro de uma gruta
Escondê-lo e fruí-lo, o tempo nos escuta,
E quem goza, e é feliz, vê-lo ir indo não sente.

Ris: stás pálida, e enfim me perguntas: — que fazes?
Nosso leito estrelado em baixo entre os lilases,
Éden novo, que nuns palmos de relva traço,

Enquanto em derredor de ti cantam as flores...
Quero só star contigo, ir só onde tu fores,
Silfos ao pé de nós; deuses, sóis pelo espaço...