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Ó vultos ideaes, fantasticos e bellos

(Ó vultos ideaes, fantasticos e bellos)
por Guilherme de Azevedo
Poema publicado em A Alma Nova

Ó vultos ideaes, fantasticos e bellos,
Que ás vezes revoaes nas salas deslumbrantes,
N'um grande mar de tulle, ethereas, fluctuantes.
Aos suspiros fataes dos meigos violoncellos;

Que bom que era sonhar nos pallidos castellos,
Á noite, á beira mar, nas solidões distantes,
Nos tempos em que a flôr dos timidos amantes
Á lua confiava os intimos anhelos!...

Agora sois gentis, despepticas, vistosas;
Pagaes por alto preço as exquisitas rosas;
Nos rapidos wagons correis o mundo em roda;

Mas prostradas do baile, amarrotando a luva,
Emquanto cae na rua a somnolenta chuva,
Scismaes no Deus-Milhão,—no Creador da moda!