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A grande bênção
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Mesmo o que vive em funda escuridade,
Ruge, morde, envenena, — uma hora alcanças
Em que é formoso, e aroma de bondade
O ar em torno, cheio de esperanças.

O dilúvio de amor, que tudo invade,
Põe manso o tigre ao pé das pombas mansas:
E um lírio agarra noutro, e ao tom das danças
Lá roda o beijo numa tempestade...

Beijos que vão, que vêm nuns ais lascivos,
Queixas de gozo ou dor dos seres vivos,
Que as dizem só mais alto as bocas doudas:

E esse conúbio em plena primavera
Era como uma grande bênção, era
Como uma longa paz nas almas todas...