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A mãe das sete dores
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


É velha; mas a hora que caminha,
Marca, a férreo ponteiro, a face dela:
Vê-se no gesto, inda hoje, que foi bela,
De uma beleza austera de rainha.

O tempo em rugas múltiplas se apinha,
Qual risca um lago a garra da procela,
Na tez, que foi esplendorosa tela,
E onde riu tudo, a mágoa enfim se aninha,

Tem hoje a cicatriz do desconforto,
No olhar, nos lábios, no sorriso morto,
Na fronte em pregas cheias de rumores.

Muda estátua de mármore estragado,
Parece que viveu por ter chorado,
Como a Niobe, a mãe das sete dores...