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A morte com seu sopro regelado

(A morte com seu sopro regelado)
por Lerack de Sá
Publicado originalmente na edição dos dias 8 e 9 de setembro de 1856, folha 2, de Correio Mercantil.


A′ SENTIDA MORTE
DO EXM. SR. MARQUES DE PARANÁ.


O bronze sagrado em longos gemidos
D′instante a instante s′escuta dobrar;
O sol não se mostra, o dia é escuro,
É dia de luto na terra e no mar.
      (O dia de finados.)



A morte com seu sopro regelado
        Um fanal apagou;
Sua luz que illuminava nossa patria
        Em trevas a deixou!

Era um astro brilhante, um astro rei,
        Do céo americano;
Á luz da intelligencia derramava
        Com brilho soberano!

E na noite dos tumulos p′ra sempre
        Seu brilho escureceu;
Noite de luto eterno p′ra o Brasil,
        Que p′ra sempre o perdeu!..

· · · · · · · · · · · · · · ·

Pranteemos aquelle em cujo peito
        Batia um coração;
Cheio do santo amor da liberdade,
        Tão contra a escravidão!

Athleta da nação! cuja vontade
        Sabia dominar;
O orgulho estrangeiro que buscava
        Nossa patria prostrar!

Alma cheia de vida e intelligencia,
        Porque Deus te chamou?
Quando mais o Brasil te precisava,
        Porque assim te apartou?...

De nós que tanta fé em ti depunhamos
        P′ra o futuro gigante,
Da nossa cara patria a quem deixastes
        Ainda tão infante!

E só resta ao Brasil carpirte sempre,
        Sabio legislador!
Que buscavas sómente engrandecê-lo,
        Torna-lo superior!

Tu eras nosso sol da liberdade
        Que nos vivificava,
Tanta esperança comtigo se murchou
        Que nos alimentava!

Descansa em eterna paz, alma sublime,
        Lá junto á divindade;
Que em nossos corações ficará sempre
        De ti viva saudade!