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A pombinha vae voando
por Tradicional
Transcrito por José Maria Campelo em 1845 na Revista Universal Lisbonense.


A pombinha vae voando,
Voando vae á porfia,
A ver quem chega primeiro
Aos pés da Virgem Maria.

Não vos démos as janeiras,
Porque são dos lavradores;
Vimos cantar-vos os reis
Que são dos nobres senhores.

Senhores fui a Bethlem
E de lá vim admirado,
De ver a Jesus meu bem
N'umas palhinhas deitado.

Foi tão grande a minha pena
Pel'o ver tão pobresinho,
Que as lagrimas de meus olhos
O molharam no bercinho.

Ora não choreis meu olhos,
Meus olhos não desmaieis,
Que d'aqui a pouco tempo
Vereis chegar os tres reis.

Os tres reis do oriente
São reis, e adoram o rei;
Mas é rei omnipotente
Que mais vos diga não sei.

A pombinha vae voando,
Voando vae á porfia,
Vimos cantar-vos os reis
Que se festeja o seu dia.

Mal haja esse rei Herodes,
Capitão falso, e damninho.
Que ensinou aos tres reis magos
Ás avessas o caminho.

Mas Deus como poderoso
Deu-lhes estrella de guia,
Que os condusiu ao presepe
Onde o Menino jazia.

Quem traz oiro, incenso e myrrha
Dos desertos de Senaar?
São tres reis, Gaspar um d'elles,
E Belchior, e Balthasar.

Oiro fino lhe offerecem
Como a rei celestial,
Incenso como a divino
Myrrha como a immortal.

A pombinha vae voando,
Voando vae á porfia,
Viva o senhor d'esta caza
Viva a sua companhia.