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Acaso na espessura
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Achei-me só com ela na espessura:
Como? não sei. — Quisemos conhecê-los,
Os cantos todos desse bosque; vê-los,
Como quem outra cousa não procura.

Como polido a tórculo, vidrento,
Transparente, lustroso, o azul profundo
Stava em cima de nós nesse momento.

De um largo beijo rápido a circundo;
Não era um gozo já, era um tormento;
E era o céu aos meus pés, não era o mundo.

Como esmagado sob essa ventura,
Eu me escondia atrás dos seus cabelos:
Deus, dos felizes, tem por certo zelos,
Pois que tudo que é bom tão pouco dura!...