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Afra
por Cruz e Sousa
Poema publicado em Broqueis (1893).
Obra com ortografia atualizada disponível em Afra (ortografia atualizada).




Resurges dos mystérios da luxuria,
Afra, tentada pelos verdes pômos,
Entre os sylphos magnéticos e os gnômos
Maravilhosos da paixão purpurea.

Carne explosiva em polvoras e furia
De desejos pagãos, por entre assômos
Da virgindade — casquinantes mômos Rindo da carne já votada á incuria.


Votada cêdo ao langnido abandono,
Aos mórbidos deliquios como ao somno,
Do gozo haurindo os venenosos succos.

Sonho te a deusa das lascivas pompas
A proclamar, impávida, por trompas,
Amores mais estéreis que os eunuchos !