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Amar, em relação ao homem
por Francisco Muniz Barreto
Poema publicado originalmente na edição 324 de Semana Ilustrada, de 24 de fevereiro de 1867. Parte do diálogo de Muniz Barreto com Adélia Fonseca.

Amar — é um viver impaciente,
Que tem mais de penoso que delêdo;
E’ um mal, que nos mata, tarde ou cêdo...
Com dores mais crueis que a dôr de dente:

Amar — é uma febre intermittente,
Que degenera em typho que faz mêdo;
E’ da vida nos mares um torpedo,
Que no abysmo arremessa a muita gente:

Amar — é andar sempre n’um sarilho;
E’ virado trazer sempre o miolo;
Jogar, e perder sempre de codilho;

Amar — é d’margura o peior bolo;
E' uma embriaguez de peralvilho,
Um documento authentico de tolo.


Janeiro de 1867.