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As torrentes
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Ao Dr. Joaquim de Pausa Sousa

Penedias, Briaréus a grandes traços
Feitos, e a golpes de cinzel gigante
Pelo escultor, que deixa nos espaços
Os pregos de oiro quente e chamejante

Das alpercatas, com que vai triunfante
Calcando, à noite, o azul a grandes passos,
Sem um sinal de esforço no semblante,
Levando os sóis debaixo dos seus braços...

De vossas rudes órbitas vazias,
Sob os sulcos de alvar e bronca testa,
Quem vos arranca as lágrimas sombrias?...

Quem vossa fronte enruga, escalva, cresta?
— Eu, disse o sol, eu mordo as penedias;
— Eu as faço chorar, disse a floresta.