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Bianca
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


São dez: vai alto o sol: a sombra é quente;
Dobra em pálio a mangueira a copa imensa;
— Senta-te um pouco; estás cansada: — pensa.
— Em quê? — Bem sabes no que pensa a gente.

Gostas de ouvir os trilos da corrente?
Um fio de água é bom na mata densa:
O ar... Não fujas... — Olha: é voz, é crença,
Que o bosque, o cheiro... este acre cheiro ardente...

(Jamais hauri-lo só contigo pude!...)
Quem sabe, diz que tem uma virtude,
Que é como um vinho azul, bebe-se bem.

— Por que taça? — Ora! a taça é boca e boca...
Mas isto agora assim de chofre, louca?...
Ó Bianca! Bianca! que não venha alguém...