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Cada palavra dicta é a voz de um morto

(Cada palavra dicta é a voz de um morto)
por Fernando Pessoa
Poema descoberto em 2016.[1] Grafia original mantida.

Cada palavra dicta é a voz de um morto.
Aniquillou-se quem se não velou;
Quem na voz, não em si, viveu absorto.
Se ser Homem é pouco, e grande só
Em dar voz ao valor das nossas penas
E ao que de sonho e nosso fica em nós
Do universo que por nós roçou;
Se é maior ser um Deus, que diz apenas
Com a vida o que o Homem com a voz:
Maior ainda é ser como o Destino
Que tem o silencio por seu hymno
E cuja face nunca se mostrou.

           Fernando Pessoa signature.svg

19. IX. 1918.

NotasEditar

  1. MEIRELES, Maurício. Bibliófilo encontra versão inédita de poema de Fernando Pessoa. Folha de S. Paulo. São Paulo, 11 jun. 2016. Ilustrada. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/06/1780385-brasileiro-revela-caderno-com-versao-inedita-de-poema-de-fernando-pessoa.shtml>. Acesso em: 11 jun. 2016. Cópia armazenada na Wayback Machine do Internet Archive.