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Como um espírito
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Batem?... Quem bate de mansinho à porta?
É talvez um velhíssimo tormento!
Por qualquer fisga pode entrar o vento,
E ouço que ele lá fora o espaço corta.

E é de leão ferido o seu lamento!...
Mas... a mim seu gemido, a mim que importa?
Batem contudo, e perto do aposento:
Abro o meu quarto, e ela me surge... a morta!...

Como é formosa em seu falar ainda!
Palpo-a: como está fria!... a envolvo: indago,
Digo: — Deita-te aqui; — sê tu bem vinda. —

É ela isto só!... um ser aéreo e vago!
Quero aquecer-lhe o corpo, e a visão linda
Foge mais uma vez, enquanto a afago...