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De que choraes, tenro Infãte

De que choraes, tenro Infãte
Vilancete publicado em Villancicos que se cantaram na Cappella Real do muy alto, e muy poderoso Rey D. Pedro II. Nosso Senhor Nas Matinas, & feſta do Natal., em 1698 (como Villancico IV).


De que choraes, tenro Infãte,
Dizei, minino, de que?
Que ſe por querer choraes,
Caro vos cuſta o querer.

Se porque naceis he o pranto,
Eſſa he a pençaõ de nacer;
Que vôs as penções pagaes,
E os beneficios fazeis.

Se a cauſa he por ter amores,
Razaõ ha porque choreis,
Que ſois neve, & Amor he fogo,
Que a neve fas derreter.

Se por ver a dura pedra
Deſte coraçaõ cruel,
Razaõ tendes, porque ás agoas
Se vem as pedras desfazer.

Se choraes de ſaudades,
Naõ vos entendo meu bem;
Pois tudo tendes preſente,
Quanto foy hé, & hade ſer.

Mas ſeja o que for, Minino,
Chorai embora, que eu ſey,
Que eſſes dous mares de aljofar
Atè em dous ſoes eſtaõ bem.

Eſtribillo.

Neſſas perolas finas
Que dezata o meu bem,
Se vem almas & vidas
De amores prender.

Coplas.

Chora o bello Minino
Lagrimas puras,
Porque a terra ſe abrande
Com tanta chuva.

Saõ dous ſoes os ſeus olhos,
E com tanta agoa
Quer que a terra de frutos,
Que eſpinhos dava.

Como nace da Aurora,
Eſte minino
Chora, que iſſo faz ella,
Como ſeu filho.

Chora perolas finas
De tanto preço,
Que â pobreza do mundo
Seraõ remedio.

Chora, & caem ſobre as faces
As puras agoas,
E parece que as rolas
O Ceo orvalha.

Encontrando-ſe o pranto
Da Mãe, & filho,
Qual he o mar naõ ſe ſabe,
Nem qual o rio.

Eſtribillo.