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Donde vindes, doce Infante

Donde vindes, doce Infante
por Frei Manuel dos Santos
Vilancete publicado em Villancicos que se cantaron en los Maytines de Navidad; en el Real Convento de N. S. de la Esperança desta ciudad de Lisboa Occidental no ano de 1721 (como Villancico I para la missa).


Donde vindes, doce Infante
Como andais, que vida he a voſſa?
Eu ſen vós morro entre penas?
Vós ſem mim vivo entre glorias?

Que mal ſente o mal alheo,
Quem mal ouve a quem bem chora,
Que ſe os remedios vem tarde,
Nunca as piedades vem promptas.

Depois que Adaõ foy cahido
Que fizeſtes, que atègora
Naõ vos movérão lamentos
Da dor que nas queyxas ſoa.

Tantos tempos ha que eſpera
Em vós o Mundo a melhora,
Vós ſem vir correndo o tempo
Pella eſperança ſem conta.

Amor dizem vos incita
A humanar voſſa Peſſoa,
Mas ſendo de amor a cauza,
Como em vós ſó tem demoras!

Mas já ſejaes muy bem vindo,
Que bem ſè foy traça nova,
Porque em tão larga eſperança,
Compre o Mundo o bem que logra.

Estribillo.

Vinde cà meu brinco,
Mais meu que atègora,
Que apenas comprado
Soes se quem vos compra.

Endechas.

Ora anday meu lindo,
Correy, que ſem nota
Contra culpa, e pena
Trazeis graça, e gloria.

Bem que vindes tarde
Naõ tenhaes vergonha,
Que ſe eſquece a queyxa
Quando o bem ſe logra.

Se teneis Menino
A morte medonha
Pela voſſa vida
Fica a morte morta.

Se vindes deſpido
De celeſte pomba
A matar vos fica
Eſſa pobre roupa.

Bem ſè que ſem culpa
Chorais culpas noſſas,
Porque pagas fiquem
A preços de aljofar.

Vinde jà comigo meus olhos
Que quero que a ſombra
Veja o Sol nacido
Antes que Alva rompa.

Naõ tardeis, que he tempo;
Pois ſempre amor nota,
Que a fineza he breve
Se a tardança he longa.