ERA costume, à tarde, em frente à Escola,
Por entre os homens graves da terreola,
Bisbilhotar-se sobre a vida alheia.
Nas rodas que tratavam tais assuntos,
Aquela história de passearmos juntos
Era o supremo escândalo da aldeia!

E o chefe, e o juiz de paz, e o boticário,
Teciam o mais negro comentário
Ao nosso ingênuo amor, todo feitiço!
O próprio padre, um santo e velho cura,
Dizia ao ver-nos: "Eis a má leitura!
São livros de Zola que fazem isso..."

Mas nós, como pastores de Virgílio,
Vivendo então num descuidoso idílio.
Sorríamos dos toscos provincianos:
E em plena aldeia, desdenhando apodos...
Passávamos de braço, entre eles todos,
Na glória dos que se amam aos vinte anos!