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Esgotos que não se esgotam

Esgotos que não se esgotam
por João Simões Lopes Neto
Publicada originalmente em sua coluna, Balas de estalo, em 25 de abril de 1889.


Esgotos que não se esgotam,
Esgotando a paciência,
Ó! goteiras de ciência,
Esgotos que não se esgotam!
Ó! Follets — da consciência,
Ó! botas que não s’embotam,
Esgotos que não se esgotam,
Esgotando a paciência

Se o Zé Povinho é quem paga
(E s’engambela o Povinho):
Sou por vós! e a caminho!
Se é o Zé Povinho é quem paga
Mas se a nobreza d’arminho,
Já treme da questão maga,
Se o Zé Povinho é quem paga
(E s’engambela o Povinho)

Então, srs. cuidado,
Qu’a questão é toda espinhos:
Tratemo-la com carinhos,
Então srs. cuidado!...
Que são terrenos maninhos
Onde é preciso o arado...
Então srs. cuidado.
Qu’a questão é toda espinhos.

Uma à Deus — outra ao Diabo.
É quase a estopa no prego...
Famosa regra, não nego:
Uma à Deus — outra ao Diabo,
E depois... o futuro é cego...
Nem sempre se chega ao cabo.
Uma à Deus — outra ao Diabo,
É quase a estopa no prego.