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Espasmos
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Espasmos (grafia atualizada).



Alma das gerações, alma lendaria,
Que tens tanto de Hamlet, tanto de Ophélia,
A candidez da rosida camélia
E as lagrimas da sêde heredilaria;

       5Alma dormente, tumultuosa, vária,
Accórde de harpa mysteriosa e célia,
Virgindade selvagem de bromélia,
Alma do Eleito, do Plebeu, do Pária;


És a chamma do Amor, negro-vermelha
       10De onde rompeu a fulgida scentelha,
Que a Flôr de fogo fez gerar no-Dante.

Com teus espasmos e delicadezas,
Nervosas e secrétas subtilezas,
Enches todo este abysmo soluçante!


Oh Lua voluptuosa e tentadôra,
Ao mesmo tempo trágica e funésta,
Lua em fundo revolto de florésta
E de sonho de vaga embaladôra;

       5Langue visão mortal e seductora,
Dos vergeis sideraes pallida giésta,
Divindade subtil da mórna sesta,
Da lasciva paixão fascinadora;