Fausto (traduzido por António Feliciano de Castilho)/Quadro XXIII

Fausto por Goethe, traduzido por António Feliciano de Castilho
Quadro XXIII

Campo no arrabalde da cidade. É noite.

Cena únicaEditar

FAUSTO e MEFISTÓFELES, galopando estrepitosamente em cavalos pretos.

FAUSTO
Não sei que avisto ao longe... a modo de figuras
a esfervilhar num ponto, em diversas posturas,
a subir, a descer, à luz de archotes. Creio...

MEFISTÓFELES
Serem bruxas talvez, que andem no seu recreio.

FAUSTO
Não. Quer-me parecer, se o olho não me é falso,
ver gente azafamada a armar um cadafalso.

MEFISTÓFELES
Deixa-os lá cozinhar a gosto seu. Crerão,
dar um prato à justiça, outro à religião.
Isso a nós que nos monta? O nosso empenho agora
é chegarmos a tempo. Açoite, e fite a espora!