Horto (1910)/Olhos azues

OLHOS AZUES


A Palmyra Magalhães



O teu olhar azul claro
Reflecte não sei que luz,
O brilho fulgente e raro
Do meigo olhar de Jesus.

Eu cuido ver todo o encanto,
Toda a belleza do Céo
Nestes teus olhos sem pranto,
N’estes teus olhos sem véo.

Sinto uma doce ventura
Uma alegria sem fim
Se d’elles a chamma pura
A’s vezes cae sobre mim.

São flores azues boiando
A’ tona d’agua, de leve,
Esses dois olhos beijando
O teu semblante de neve!

Angicos — 1896.