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Ineffavel!
por Cruz e Sousa
Poema agrupado posteriormente e publicado em Ultimos Sonetos (1905).
Texto com ortografia atualizada disponível em Inefável!.



Nada ha que me domine e que me vença
Quando a minh' alma mudamente accórda...
Ella rebenta em flor, ella transbórda
Nos alvorôços da emoção immensa.

       5Sou como um Réo de celestial Sentença,
Condemnado do Amor, que se recórda
Do Amor e sempre no Silencio bórda
D'estrellas todo o céo em que érra e pensa.


Claros, meus olhos tornam-se mais claros
       10E tudo vejo dos encantos raros
E de outras mais serenas madrugadas!

Todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
Na minh' alma volteando arrebatadas!