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Inocência (Olavo Bilac)

Inocência (Olavo Bilac)
por Olavo Bilac


Como, em vez de uma paz desiludida,
Posso eu ter, nesta idade, esta confiança,
Que me leva a correr a toda brida
Na pista de uma sombra de esperança?


Esta velhice ingênua me intimida:
Tanto ardor, tanta fé, que me não cansa,
E, em mais de meio século de vida,
Tanta credulidade de criança!

Rio, inocente, ao sol, como uma rosa;
Ainda arquiteto mundos sobre a areia;
Anoiteço em miragem luminosa.

E ainda imagino a minha taça cheia,
E emborco-a: "Oh! Vida!..."; e quero-a, e acho-a formosa,
Como se não soubesse quanto é feia!