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João Valjean e Deus
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Quando a nuvem, com que os olhos cerra,
O anjo da morte lha deitou num beijo,
E o poeta enfim deixou de ser da terra,
Houve no céu então um só desejo:

Queriam todos vir, como em cortejo,
Buscá-lo: era um barulho, era uma guerra!...
Deus porém asas cândidas descerra,
E diz: — Vou eu: já para abaixo adejo... —

Mas um, que o olhar humildemente fita,
Cheio de noite e estrelas da manhã,
Na imaculada luz... — que lhe permita...

(Com o olhar só, suplicava aquela dita...)
Deus tornou: — Pois vai tu, vai, João Valjean... -
Pondo mais sóis na abóbada infinita...