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Mãos de Lady Macbeth
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Como a Macbeth, — eu sei, as mãos manchadas
Não tens de sangue: o coração teu puro
Vai, vem; é como um pêndulo seguro;
Passam-lhe as horas calmas, sossegadas.

Mas quando beijo as palmas delicadas
Encontro aí sempre um ponto, um ponto escuro;
E minhas esperanças sepultadas
Na cova sua deixo, e o meu futuro.

Que dor profunda dentro em mim eu sinto,
Ao vê-la e ouvi-la, alheado, inquieto, absorto!
Digo-lhe então: — Tu crês, talvez, que minto?

E ri: porém com tanto desconforto
Que o riso tem a cor de um riso extinto,
E é túmulo o seu lábio, e o riso um morto...