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Maternidade
por Olavo Bilac


"O Senhor disse à mulher: Por que
fizeste isto? Eu multiplicarei os
teus trabalhos!"
(Gen., cap. III.)


Ventre mártir, a rútila visita
Do amor fecundo te arrancou do sono:
E irradias, lampejas como um trono
De animado marfim que à luz palpita!

Ergues-te, em esto de orgulhoso entono:
Fere-te enfim a maldição bendita!
Tens o viço da Terra, quando a agita,
Rico de orvalhos e de sóis, o outono.

Augusto, em gozo eterno, o teu suplício...
Feliz a tua dor propiciatória...
- Rasga-te, altar do torturante auspício,


E abra-se em flores tua alvura ebórea,
Ensangüentada pelo sacrifício,
Para a maternidade e para a glória!