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Molle tarentum
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


  Quid latet...?
  Horácio — Carmen

Não dá Tarento mais alguém que surta:
Tarde acorda, e em vil ócio esmói a sesta;
A vida breve a torna inda mais curta;
E dos homens, que teve, homem não resta.
 
Os de hoje! aí stão: Cabelo sobre a testa,
Que ao rosto oval a curva branca furta;
Cara de efebo, e em todo um cheiro a murta,
Como o olhar de uma deusa armado em festa.

Borzeguins cor de rosa, e fitas verdes,
Túnica fina, transparente, vasta...
Não os olheis, por Hebe, é vos perderdes;

Virgens do Lácio, ouvi: isto vos basta:
Fugi, para em vós só beijando verdes
A casta luz do sol em luz mais casta.