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Nada mais
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Não ter saudades desses tempos? Tenho.
Davas o azul ao céu, o canto ao dia,
Rir todo em mim o riso da alegria,
Era, criança, o teu maior empenho.

Chorar em vão o que perdi não venho:
Sou como a terra sáfara e baldia,
Que não dá mais o que já deu, e cria
O erval, que a invade, inútil e ferrenho.

Passou o vento, e não achou, passando,
Mais rosais e mais pássaros na leira,
Não teve a luz mais luz do olhar teu brando.

Por que seguir-te na fugaz carreira?
Que hei de querer eu mais agora, quando
Atravessaste a minha vida inteira?