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Navio em perigo
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Saímos do colégio à tarde. O sol caía
Entre esqueletos de oiro e corpos de guerreiros,
Por átrios, penetrais, e os fumos derradeiros
De um incêndio, que em torno o vasto céu enchia.
 
E um corvo negro ali de súbito surgia,
E ia apagando o fogo e os colossais braseiros,
Num bater de asas surdo e lento de pampeiros:
Delas a sombra dura as serras envolvia.
 
Nós, crianças em bando, umas tímidas corças,
Queríamos medir no mar as nossas forças:
Mas em frente ao tufão de pé o mar bravio
 
Vaga e vaga arrojava em cima da procela;
Quando vimos, a rir, — sem rumo, e leme, e vela,
Gemer, no fundo, ao longe, a sombra de um navio...