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No mar (Francisco Leite de Bittencourt Sampaio)

No mar
por Francisco Leite de Bittencourt Sampaio
Poema agrupado posteriormente e publicado em Parnaso Sergipano

Vem comigo, ò doce amada,
Vem sobre as ondas do mar :
A garça mimosa
Não é tão ligeira,
Que a barca veleira,
Formosa
Levada
Da brisa a voar.

Linda concha—a barca bella
Deixemos solta correr.
Oh ! vem comigo, donzella,
No mar de amores viver.

A vida nos corre breve
No mar de bellezas mil :
Seus thronos soltando
O cysne de prata,
Seu collo retrata
Vogando
De leve
Nas ondas de anil.

Linda concha—a barca bella
Deixemos solta correr.
Oh ! vem comigo, donzella,
No mar de amores viver.

Rainha do dia, a aurora
E’ doce vel-a no mar,
Deixando o horizonte
Por entre a neblina,
Delgada cortina
Que a fronte
Descora
Das flores do ar.

Linda concha—a barca bella
Deixemos solta correr.
Oh ! vem comigo, donzella,
No mar de amores viver.



O céo se anila nas agoas,
E’ oiro o sol à fulgir :
A viva ardentia
Do astro brilhante
Convida o amante,
Que ancia
De magoas,
Venturas fruir.

Linda concha—a barca bella
Deixemos solta correr.
Oh ! vem comigo, donzella,
No mar de amores viver.



A lua tem sua origem
No seio escuro do mar :
São doces seus raios
Batendo luzentes
Nas vagas trementes,
Desmaios
De virgem
Que vive a scismar.

Linda concha—a barca bella
Deixemos solta correr.
Oh ! vem comigo, donzella,
No mar de amores viver.



Voz de Deus, a tempestade
Não te assuste, ó meu amor !
A’ supplica cede
O Alto-potente,
O anjo innocente
Que pede
Piedade
Ampara o Senhor.

Linda concha—a barca bella
Deixemos solta correr,
Oh ! vem comigo, donzella,
No mar de amores viver.

Sopre o vento, ruja a vaga,
Medonho se torne o mar !
No meio á tormenta
Serás, minha bella,
Estrella que vèla,
Que alenta,
Que afaga
Do nauta o cantar !

Linda concha—a barca bella
Deixemos solta correr.
Oh ! vem comigo, donzella,
No mar de amores viver.