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O Brazil
por Pedro de Calasans
Poema agrupado posteriormente e publicado em Parnaso Sergipano

De perlas, saphyras, de mil esmeraldas,
De ricos brilhantes a fronte engrinaldas,
Gigante, orgulhoso, soberbo Brasil.
Na historia dos povos teu nome escreveste,
Mil palmas e louros, na infancia, colheste,
Colheste-os com gloria, batendo o fusil.

De lindas estrellas, de luzes brilhantes
Teu céo é bordado ; subtis, cambiantes
Destendem-se as nuvens ligeiras no ar ;
E as luas formosas de pallidos lumes,
E as flores e os dias e os gratos perfumes
São mimos, que a Europa bem pode invejar.

Teus bosques frondentes, teus campos e montes,
E os mares e os rios, regatos e fontes,
São verbos, são phrases, que dizem—valor—.
Não durmas, não tremas, nem curves o cóllo,
Que a turba, que passa por sobre o teu sólo,
São livres, são moços da edade na flor.

Não és tu a patria dos grandes Andradas
Na voz de tribunos plantando as cruzadas
Em prol dos teus fóros negados em vão ?
Não és o guerreiro, que as hostes imigas,
Na guerra amestradas, sem custo profligas,
Vencendo os valentes de Ormuz e Ceylão ?

Imperio orgulhoso; soberbo e gigante,
Não pares, caminha, caminha adiante,
Com os olhos no Throno cercado de luz,
Não durmas, nem tremas, não curves o cóllo,
Que a turba, que passa por sobre o seu sólo,
São fortes, são livres, são filhos da Cruz.

E tu, Mocidade, phalange animada,
Que fazes o encanto da patria adorada,
Que além te reserva brilhante porvir;
Consagra os teus dias, teus hymnos à gloria
Da terra dos bravos de eterna memoria,
Que a fronte de louros terás de cingir.

Não vês que rutila por sobre as montanhas
O sol de setembro de glorias tamanhas,
Mostrando a alvorada de um bello existir?
Não ouves no pico das serras o grito
Maior do que as molles vetustas do Egypto,
Maior do que o mundo, maior que o porvir?

E o echo das serras proclama a verdade,
Que o filho das mattas bradou—liberdade !—
Do Prata ao Amazonas retumba essa voz.
Quebraram-se os élos da injusta cadeia,
São livres os povos, domina-os a idéa,
Mimoso legado de nossos avós !

E os labios dos bravos, ardentes de gloria,
Prorompem nos hymnos da excelsa victoria,
Que os filhos de Lisia fizeram tremer !

São livres os povos ! fluctua a bandeira,
Que as filas cobrira da gente guerreira,
Que tinha por norte :—ser livre ou morrer !

Sejamos unidos, mais fortes seremos :
Dos livres vergentes, si livres nascemos,
Das sacras reliquias guardemos a lei.
Brazil ! minha patria, serás sempre grande,
Pois guia-te um Pedro, maior que Alexandre,
Governa-te um sabio, que é mais do que um rei !