O Fim do Mundo/XV

O Fim do Mundo
por Joaquim Manuel de Macedo
Grafia e realces originais mantidos.


XV.

Tudo portanto estava acabado ! eu era o único vivente que se achava na cidade muito leal e heróica ; oh ! tive vontade de chorar desesperado, como Mário nas ruinas de Carthago !

Via-me prodigiosamente rico : tinha palácios, pertencião-me o thesouro publico, os cofres de todos os usurarios, possuia riquezas incalculáveis : era porém uma espécie de Adão sem Eva, e ainda em cima um Adão, que, em vez de habitar no Paraiso, devia morar em um cemiterio descommunal !

Arrependi- me de haver fugido do cometa : mil vezes antes morrer assado do que sobreviver a um tal cataclysmo para ficar em isolamento e na mais completa impossibilidade de ser o tronco de uma nova geração !

Ah Martinho ! Martinho ! como poderás tu viver sem aquelle amado e respeitavel publico que te applaudia no theatro, que te encorajava com seus bravos e suas palmas, como ?. .