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O boi
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Não espantara o Olimpo inda a temeridade
De Prometeu; a vida era um problema escuro;
Alcides não domara a Hidra, e a enormidade
Do Centauro; ladrava o oceano ao palinuro.

Robusto como o leão, não tão nobre, é verdade,
O boi de nossos pais já suportava o duro,
Áspero jugo — bom, calmo, na austeridade
De quem carrega o tempo e as messes do futuro.

Amo-o por isso; e quando ele ergue o corpulento
Torso pela mudez glauca do vale, e afina
O quadro o sol no ocaso — águia ferida em lento

Rolar, descer, cair — então parece a ruína
De enorme construção, vetusto monumento,
Do qual resta uma torre em pé, sobre a campina.