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O forte
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


   A Machado de Assis

O varão forte mutilado a meio
É qual Deus, que o escultor em pé levanta,
Nessa atitude respeitosa e santa
Que a pedra guarda no divino seio.

O bárbaro pisou-o sob a planta;
Lançou-o o tempo ao chão, qual fraco esteio;
Mas o mármore — um dia — ergue-se, e canta
Belo, como das mãos de Fídias veio.

Basta que caia a gota de água em cima,
E que um raio de sol a enxugue instantes,
Para irromper a sonorosa rima

Do coro dessas linhas cintilantes;
E no meio da luz, que o beija e anima,
O Deus de pedra inda é maior que dantes.