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O ninho
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


O moleque abre a boca enorme, e uns dentes
Brancos, como os marfins que há em Ceilão,
Mostra dentro de uns beiços salientes;
O corpo é magro; a roupa de algodão.

Segue-o um menino de olhos reluzentes,
Com ares de senhor, e pés no chão,
E ambos esperam trêmulos, silentes,
Outro que desce — e já lhes mostra a mão.

Saltam de laranjeira sacudida
Orvalho e flores brancas desfolhadas,
Em torno dessa troça ali reunida.

Um ninho! clamam!... Súbito a risadas
Partem os três... e a luz desinsofrida
Parte atrás deles rindo a gargalhadas.