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O sabiá
por Fagundes Varela
Poema publicado em Vozes da América.
(CANÇONETA)


Oh! meu sabiá formoso,
     Sonoroso,
Já desponta a madrugada,
Desabrocha a linda rosa
     Donairosa,
Sobre a campina orvalhada.

Manso o regato murmura
     Na verdura
Descrevendo gyros mil,
Some-se a estrella brilhante,
     Vacillante,
No horizonte côr de anil.

Ergue-te, oh meu passarinho,
     De teu ninho,
Vem gozar da madrugada...
Modula teu terno canto,
     Dôce encanto
De minh’alma amargurada.

Vem junto á minha janella,
     Sobre a bella
Verdejante laranjeira,
Beber o effluvio das flôres,
     Teus amores,
Nas azas de aura fagueira.

Desprende a voz adorada,
     Namorada,
Poeta da solidão,
Ah! vem lançar com encanto
     Mais um canto,
No livro da creação!

Oh meu sabiá formoso,
     Sonoroso,
Já desponta a madrugada...
Deixa teu ninho altaneiro,
     Vem ligeiro
Saudar a luz d’alvorada