Abrir menu principal
Orfeu
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Há clamor nos rosais, há dança na montanha:
Valsa o arvoredo, rola em torno Pã, cintila
Enroscando-se o rio; o leão tem na pupila
Serpentes de oiro, o tigre uma fogueira estranha.

Cresce o delírio, sobe à esfera, e os numes ganha;
Entra o furor na turba há pouco inda tranqüila
Dos planetas; e tudo anda em roda; vacila,
Precipita-se o Olimpo, e o ébrio ritmo acompanha.
 
Sobre as vagas do mar, por vez primeira quedas,
Netuno ergue a cabeça e o grupo das Nereidas.
Bóreas, filho da Aurora, as asas suspendeu.
 
Jove, os raios brandindo, os quer conter; aos brados
Surdos, deuses e sóis, em turbilhões levados,
Passam. — No Atos, de pé, cantava à lira Orfeu.