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Os diabretes de D. Ana
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Temporis et prisci facta referre senem...
Tibullo — Elegia

Quem não teve entre os seus uma velha africana,
Que embala o berço, e canta, e acarinha, e vigia?
Que com histórias, que valem pérolas, grana
Quimeras de oiro, e as lança em nossa fantasia?
 
A nossa tinha atrás do morro uma cabana,
Vegetando agarrada à bronca penedia;
Junto dela o moital, no moital a alegria
De uma água que cantava ao ver chegar D. Ana.

Dizia a água a saltar: — a D. Ana já veio!...
E à meia noite a velha, o rosário no seio,
Feito o sinal da cruz, ia à ponte espiar.
 
Riam-lhe da água então grupos de diabretes,
Davam pulos no ar, jogavam-lhe os barretes...
Lindos!... feitos de prata, em nesgas do luar!